3KM 4 - ENTREVISTA - AMARO ANTUNES





Amaro Antunes é o novo reforço da equipa de ciclismo profissional do Clube de Ciclismo de Tavira. O atleta ascendeu ao profissionalismo na época passada, e actualmente com 20 anos conta várias vitórias no seu palmarés. Durante a sua passagem nas camadas jovens notabilizou-se nos Contra-relógios e nas etapas de montanha. Em 2011 deu nas vistas ao vencer uma das provas da competição internacional, Taça das Nações, ao serviço da selecção nacional de sub 23. Natural de Vila Real de Santo António, Antunes é a mais recente aposta da equipa algarvia.





Neste novo ciclo da tua carreira, em que ingressas na equipa profissional de Tavira quais são as tuas expectativas para esta época?
Amaro Antunes:
Antes de mais é para mim uma honra enorme vestir as cores do Clube de Ciclismo de Tavira, as expectativas são grandes pois tentarei dar o meu melhor em prol da equipa. Agradeço imenso a aposta que o Clube depositou em mim.

Ao longo da tua ainda curta carreira tens conquistado diversas vitórias. Qual foi a vitória que mais sabor te deu conquistar?
AA:
Qualquer das vitórias que alcancei tem um sabor muito especial. Ao ter de referir uma, como é natural, elejo os campeonatos nacionais de juniores em crono e estrada. É claro que também não podia deixar de referir a minha recente vitória na Taça das Nações em Itália , foi arrepiante vencer ali...


És um jovem corredor, e uma aposta do Clube de Ciclismo de Tavira. Qual é a tua principal meta enquanto ciclista profissional nesta equipa?
AA:
Acima de tudo venho com um objectivo claro, aprender mais e poder evoluir como ciclista.



Este ano conquistaste uma importante vitória ao serviço da selecção nacional de sub 23, na Taça das Nações. Como descreves o teu percurso na selecção?
AA:
Foi uma vitória muito importante para mim. Quanto ao meu percurso enquanto ciclista da selecção nacional, tento sempre ser útil e honrar a camisola de Portugal.

Como surgiu o gosto por esta modalidade?
AA:
O gosto pelo ciclismo surgiu devido ao facto de ter sempre familiares ligados à modalidade.
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2KM147 - GRANDE ENTREVISTA A RICARDO MESTRE





Humberto Fernandes
Joana Germano

2º Algarvio a vencer a Volta a Portugal

Ricardo Mestre, o embaixador do ciclismo no Algarve

Perfil
1983, foi o ano que a pequena e pacata aldeia da Cortelha, pertencente a freguesia do Azinhal concelho de Castro Marim, viu nascer aquele que seria o seu maior orgulho. De seu nome Ricardo Jorge Correia Mestre que se tornou talvez o maior embaixador deste conselho pertencente ao Baixo Guadiana, filho de emigrantes e criado pelos avós maternos, a bicicleta sempre foi o seu meio de transporte de eleição e o desporto que preferia praticar durante a sua infância, fazendo parte da sua vida desde tenra idade. Com 12 anos a conselho do seu pai integrou conjuntamente com o seu irmão, Mário Mestre, nas escolas de ciclismo do Clube de Ciclismo de Tavira por ser a única da região caso que ainda se mantém depois de em Vila Nova de Cacela ter surgido por alguns anos uma nova escola de ciclismo. No seu 11º ano de escolaridade quis dedicar-se exclusivamente ao ciclismo onde já começava a demonstrar uma capacidade acima da média e onde surgiam os primeiros resultados de relevo, no primeiro ano que começo a ser remunerado com uns modestos 150 euros mensais. Ciclista profissional desde 2005, sempre a defender as cores do Clube de Ciclismo de Tavira, teve o seu primeiro triunfo como profissional no ano seguinte na 6ª etapa da 68ª Volta a Portugal, onde chegou a andar de amarelo como líder da prova, revelando-se uma grande promessa do ciclismo português e com um futuro muito promissor, mas que apesar da sua reconhecida qualidade esteve desde então na sombra de David Blanco (quatro vezes vencedor da Volta a Portugal três das quais pela equipa tavirense), que o reconhecia como seu gregário de luxo. Este ano com a saída de David Blanco e Cândido Barbosa da equipa, Ricardo Mestre teve de assumir o seu papel de líder dentro da equipa, conseguindo de forma inesperada a vitoria no Troféu Joaquim Agostinho uma das provas mais importantes do calendário nacional e um mês depois inscreveu o seu nome na prova mais importante do ciclismo nacional como grande vencedor da 73ª Volta a Portugal em bicicleta onde se impôs de forma categórica.

Oito anos passaram desde que o último português ganhou a Volta a Portugal em ciclismo; sessenta e quatro anos passaram desde que o último e único algarvio ganhou, mas esta é a primeira vez que um algarvio vence com a camisola de equipa algarvia. Ricardo Mestre inscreve assim o seu nome, o nome de Castro Marim e da localidade da Cortelha, na história do ciclismo como um dos vencedores da Volta a Portugal.



Já muito ouvimos falar do ciclista Ricardo Mestre desde a sua grande vitória, mas na verdade quem é o Ricardo e como é como pessoa?
Segundo dizem tímido, humilde, amigo dos amigos e tento ser simples.

A paixão do ciclismo surgiu cedo. Houve obstáculos a ultrapassar para prosseguir carreira nesta modalidade?
Obstáculos existem sempre, mas quando é uma coisa que nós gostamos estamos sempre dispostos a ultrapassar os obstáculos e todos os que me tenho deparado até hoje penso que os tenho conseguido ultrapassar. E espero no futuro conseguir superar outros que possam surgir.
Por exemplo este ano, foi um ano muito difícil em que tivemos cortes significativos no orçamento e foi um ano que trabalhamos por amor à camisola e isso foi um obstáculo que condiciona bastante as nossas vidas.

Muito se falou este ano que o orçamento da equipa baixou dos 800 mil euros para cerca de 300 mil, um dos mais baixos do pelotão, por consequência os ordenados passaram para um terço do que eram. Como vive um ciclista nestas condições e como se consegue ter motivação para sair todos os dias de casa, preparar e ganhar uma Volta?
Isso é uma coisa que mexe bastante no nosso psicológico, na nossa motivação, mas temos que encarar a vida com motivação, sabemos que este é um ano difícil mas não podemos baixar os braços, temos que continuar a lutar, porque se baixarmos os braços então é que vai tudo por água a baixo, temos que fazer tudo para poder melhorar.

Quando falamos numa redução substancial falamos em quê? Houve falta de pagamento? Passaram necessidades?
Não, o pagamento até hoje, com mais ou menos dificuldade até hoje tem sido sempre efectuado, mas vimos os nossos salários serem reduzidos para uma terça parte, o que é muito significativo.

Qual é a média de um ciclista, por exemplo na vossa equipa?
A maioria ronda os 1000 euros, mais descontos, o que de um terço é bastante.

O mundo desportivo é muito exigente e um atleta deve levar uma vida regrada. Teve que abdicar de algumas coisas para se dedicar à carreira e atingir o sucesso, ou apenas devem ser evitados os extremos?
Funciona muito assim. Temos que colocar a modalidade praticamente à frente de tudo, mas temos que gerir as nossas vidas; sabemos que se hoje temos um treino importante não podemos abusar de certas coisas.
Custa por vezes não poder estar tanto com os amigos, ou não poder sair até mais tarde, mas às vezes não sentimos tanto porque já estamos habituados a esse estilo e ritmo de vida e as coisas passam mais naturalmente. Mas há certos momentos em que vemos a família toda junta, queremos desfrutar mais um pouco e aí sim estamos mais condicionados.

E ao nível de treinos? Treinas quantas vezes, quanto tempo?
Treino 7 dias por semana… Isso é muito relativo, porque temos dias considerados dias de descanso que às vezes optamos por descansar, mas por vezes passamos uma ou duas horas em cima da bicicleta. Depois temos treinos de intensidade, de horas, de maior endurance, em média umas 3 ou 4 horas por dia.

Quando é que começa a preparação para a Volta a Portugal? Um mês antes, dois ou desde o início da época que se prepara a Volta?
Nós praticamente focamos a época toda na Volta a Portugal, mas depois a preparação fica mais intensiva nos últimos 2 meses, tentamos ultimar os últimos detalhes.

O que queres dizer quando dizes ainda mais intensiva?
Não quer dizer que tenhamos que treinar mais, o que acontece é que levamos as coisas mais a sério, os treinos mais específicos, maior rigor na alimentação, é tudo mais ao detalhe e não obrigatoriamente na quantidade.

Falaste na alimentação. Qual é o peso que se perde desde o início da época com vista a depois chegares à Volta com menor peso?
Isso varia consoante o ciclista. Existem ciclistas que mantém quase o peso igual durante todo o ano. No meu caso chega a variar até aos 10kg.

Em termos da Volta a equipa preparaou-te para seres o chefe de fila ou foste mais um dos chefes de fila, as coisas proporcionaram-se durante a Volta? Foi muita a pressão que sentiste para esta Volta? Sentiste que tinhas de vencer ou com o passar das etapas tornou-se um objectivo e realidade?
Não me sinto pressionado, as coisas têm decorrido normalmente. Penso que não podemos ir por aí, senão acho que chegamos lá e depois as coisas não correm bem. Em relação ao chefe de fila. A equipa foi com três hipóteses para tentar ganhar a Volta, eu era uma delas; a corrida desenrolou-se assim, tirei partido dessa situação e correu bem.

Nunca houve conflito entre os três?
Não, as coisas desenrolaram-se assim, ajudámo-nos sempre uns aos outros, se calhar foi por isso que tivemos três ciclistas nos quatro primeiros.

A 7 de Julho, quase a um mês do início da Volta, ganhaste de forma categórica a 1ª etapa do Troféu Joaquim Agostinho em Torres Vedras e alcançaste a vitória final dessa prova. Há sempre o mito de quem ganha o Joaquim Agostinho não ganha a Volta.De certo que soube muito bem essa vitória, mas de alguma maneira, e tendo em conta as tuas aspirações para a Volta a Portugal, não te preocupava estares em tão bom momento de forma ainda a um mês do início da grande prova?
Não porque este ano também comecei a época mais tranquilo, a própria época foi mais tranquila. Quisemos testar realmente os nossos momentos de forma, se tínhamos que descansar, se tínhamos que treinar mais; quisemos testar o nosso verdadeiro ritmo e as coisas mostraram que estávamos a seguir um bom caminho e continuamos a trabalhar.

Foi mais um desafio?
Sim, sem dúvida, foi uma maneira de estar na equipa, de ver qual era a condição da equipa e as coisas disseram-nos que estávamos bem equilibrados e bem encaminhados.

Qual era a etapa que te metia mais medo? Ficaste com algum trauma por teres perdido a amarela na Senhora da Graça em 2006…
É aquela etapa que eu gosto de fazer, a que me metia mais receio era a do contra-relógio antes da etapa da serra da estrela. O contra relógio costuma sempre deixar algumas marcas…

Depois de ganhares a camisola amarela no C/R pareceste sempre um campeão da tranquilidade e segurança em ti próprio. Isto correspondia à realidade, estares muito forte psicologicamente, ou as aparências enganam…
2006 era o meu segundo ano de profissional, era a minha segunda Volta, era o segundo ano do Vidal como director desportivo e pecámos por falta de experiência. No final de 7 voltas a Portugal, já passei por muito; passei por momentos muito bons mas outros muito difíceis e isso dá-nos uma certa experiência; também trabalhar com ciclistas como o Cândido Barbosa e o David Blanco que nos ensinam muitas coisas para depois encarar estas situações.

Os mais leigos julgam o ciclismo como um desporto individual, mas na verdade todo o trabalho de equipa, todo o colectivo trabalha para o chefe de fila. Como é ser chefe de fila e sentir que toda a equipa trabalha para ti? É de certo uma responsabilidade acrescida…
O ciclismo está como um desporto individual mas na realidade é um desporto colectivo. Principalmente numa corrida por etapas se não houver uma equipa com capacidade de defender um líder é muito complicado ganhar uma equipa por etapas.

Na tua opinião qual foi o momento decisivo na prova? Quando sentiste que poderias ganhar? Depois da etapa da Torre?
Estava ganha não… A etapa da Torre é uma etapa que com muita facilidade se perdem 2 ou 3 minutos nos últimos 2 km´s e se as coisas correrem mal se for preciso perdem-se 10 ou 15 minutos com muita facilidade. Mas também tenho consciência que é mais fácil defender uma corrida do que atacar e isso é vantajoso.

Alguma vez te sentiste comprometido no teu objectivo de ganhar a Volta? Por falta de força ou por veres que os adversários poderiam estar melhor? Que te poderia faltar a força?
Foi uma etapa daquelas que nós não imaginamos; foi uma etapa que saiu perfeita e que nós não estamos à espera; raramente acontecem situações destas…

Cortar a meta em Lisboa foi o descarregar de emoções acumuladas durante os últimos dias da Volta. O sentimento foi de alívio? Consciencializaste-te aí que a camisola amarela já não escapava? Acreditaste aí que a Volta era tua?
Aí sim tive a certeza que ganhava. O ciclismo é uma corrida que até ao último km tudo pode acontecer, às vezes há imprevistos, há azares, a última etapa, a de consagração, é uma etapa bastante dura e se nos afectarmos podemos sofrer mossas. Mas foi uma alegria.


Em 2006 quando ganhaste em Fafe tinhas um coração nas mãos e este ano a chupeta ao peito. O que simbolizam estes objectos?
Não tem nada a ver com superstições, é apenas a maneira de levar as pessoas que me são mais próximas e tê-las perto de mim. Nessa altura foi um porta-chaves com um coração, oferta da minha namorada, este ano foi a chupeta da minha filha. No futuro não se saberá…!

Qual a sensação de cortar a meta em Lisboa e veres a tua namorada e a tua filha, quando não contavas que lá estivessem?
Foi uma surpresa muito boa, foi emocionante porque poder partilhar esse momento de alegria com as pessoas que mais gostamos é bastante bom e importante.

Quais os segredos desta equipa para vencer 4 edições consecutivas da Volta a Portugal e este ano até de forma surpreendente devido à saída do Blanco e do Cândido e onde muitos diziam que era «uma casa sem dono», onde apenas ficaram os gregários de dois dos melhores ciclistas que passaram por Portugal nos últimos anos…
Esses comentários nunca nos desmotivaram, longe disso. Tivemos o nosso valor, sabemos por aquilo que lutamos. A comunicação social não esteve próxima da nossa equipa, mas trabalhamos e tudo correu com naturalidade.

Achas que te subestimaram que não te deram o valor merecido, visto que nunca foste apontado como favorito?
Há aqueles eternos que toda a gente os consideram sempre candidatos, alguns que nunca mostraram se calhar que podem ganhar uma volta a Portugal, mas que se continua a dizer que são candidatos. Mas se formos ver na classificação dos outros anos, tirando os que estavam à nossa frente…

Com 6 participações na Volta duas delas nos dez primeiros e este ano a grande vitória, como é ficar na historia da Volta a Portugal, sendo que é o segundo algarvio em 64 anos a alcançar este feito? História da volta e do ciclismo português?»
É muito motivante e o meu objectivo é sempre querer melhorar o anterior. Em 2012 tentarei melhorar a de 2011 a época.

Agora que ganhaste a tua primeira Volta, já pensas em repetir este feito?
(Risos) Se participar irei tentar defender.

Esta vitória tem alguma dedicatória especial?
Principalmente à minha família, sobretudo à minha mulher e filha, ao Dr. Benjamim Carvalho, que teve momentos de saúde difíceis e colocou sempre a equipa à frente da sua saúde e ao falecido Brito da Mana que teria gostado de ver um ciclista da escolas do clube sagrar-se vencedor.

Como viveste os dias após a vitória? Foram tranquilos ou de festa? Esperavas todo este mediatismo ao teu redor?
Tranquilo não tem sido nada. Tenho sido muito solicitado, homenagens, jantares, entrevista, televisão. Nós quando estamos na corrida não temos bem percepção de como as coisas estão a acontecer e quando chegamos cá é que com o passar dos dias é que temos a percepção do que envolve.
Sou uma pessoa que passo bem sem o mediatismo, na Volta até chegavam a comentar que fugia sempre do pódio e das televisões.


Na chegada a Tavira, e dias depois na homenagem que te prestaram em Castro Marim, ver alguns milhares de pessoas se mobilizarem para em coro dizerem o teu nome... O que se sente nestes momentos?
Fico contente e orgulhoso; é gratificante ver que as pessoas conhecem o nosso trabalho e os nossos sacrifícios e dá-nos motivação para continuar a trabalhar, é um grande impulso.

Com a performance que conseguiste atingir e maturidade competitiva que revelas, o que poderia isso valer num Giro de Itália, numa Vuelta a Espanha ou mesmo num Tour de França?
Isso são coisas que não se podem dizer porque são muito distintas. Mas é sem dúvida que era uma experiencia que gostava de ter e viver e ganhar é uma coisa que nunca se sabe. É uma experiência que gostava de ter e só depois sim poderia tirar conclusões.

O que é necessário para participares?
É preciso ter uma equipa com estatuto de pró tur, que é a divisão máxima do ciclismo internacional ou então estar numa equipa profissional e que surja um convite que é bastante mais complicado.

E o teu futuro após esta grande vitória? Dás prioridade ao Tavira ou procuras outra formação que te dê outras condições financeiras e desportivas?
Nunca escondi que se tiver essa oportunidade e se reunir condições vou tentar aproveitá-la; sei que é difícil, mas também não é impossível. Se tivesse essa oportunidade penso que qualquer ciclista a agarraria e se isso acontecer também vou tentar agarrar.

E já há alguma perspectiva?
Para já não; claro que há sempre algumas abordagens, mas daí até serem coisas efectivas e que mostrem algum interesse real, isso já é diferente. Se houvesse oportunidade claro que ia tentar subir na carreira e nunca escondi isso. O ciclismo em Portugal está a atravessar um momento bastante difícil e penso que a solução passa pelo internacional.

Se te dessem a escolher entre a Vuelta, o Giro ou o Tour, qual seria a tua opção?
Não tenho preferência (risos); há sempre preferências e claro que se me dessem a escolher era o Tour, mas as coisas não funcional assim. Se vier alguma proposta será bem vinda.

Houve muitas críticas este ano à Volta em Portugal devido ao facto da mesma ter decorrido sobretudo no norte e centro do pais e o Sul ter sido «esquecido». Tratam-se apenas que questões financeiras e de logística, ou o Sul não é terreno aliciante para o ciclismo?
As críticas não têm que ir para a organização, se calhar têm que ir para as autarquias, para o Algarve, não há investimento e sem investimento é lógico que as coisas tornam-se bem mais complicadas. Há empresas que também sabemos que passam por muitas dificuldades. A região de turismo do Algarve sairia sair bastante beneficiada e não os deixam, o que é triste.
Os estudos comprovam que o ciclismo é uma das modalidades que dá mais retorno, é complicado.

Foi sempre um sonho o ciclismo?
Sempre passou por isso. Desde miúdo que sempre gostei muito desporto, sempre joguei à bola, corri e andei de bicicleta e desde o momento que entrei no ciclismo, depois de passar a profissional tive o sonho de ganhar a Volta a Portugal e os seguintes objectivos passam por entrar numa equipa internacional que me dê margem para evoluir, de fazer outras corridas que em Portugal não há possibilidade de fazer.

Há escolas de ciclismo no Sotavento algarvio?
Não, o mais próximo é Tavira, onde estou.

Nunca houve um apelo a essa parte para a inserção da modalidade desta região?
Houve uns ano também uma escola em Cacela, mas teve pouca duração, e esperemos que futuramente possam haver mais escolas.


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Após a Volta o humilde campeão natural da Cortelha disputou os circuitos pós-volta e já entrando na recta final da época Ricardo Mestre integrou a selecção nacional no final de Agosto para disputar a Volta a Tenerife seguindo-se a Volta à Bulgária posteriormente fechando a época com chave de ouro nos mundiais de Copenhaga, Dinamarca no final do mês de Setembro onde foi 59º num pelotão de 210 ciclistas á partida dos mais de 250 quilómetros que compunham estes mundiais. Para fechar a época Ricardo Mestre irá estar presente no festival de Pista em Tavira que se corre dia 5 Outubro, prova que fecha a época de estrada do calendário nacional.





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2KM120 - ENTREVISTA - LUÍS CONSTANTINO – Presidente da Direcção do Clube de Ciclismo de Tavira



O novo presidente do Clube de Ciclismo de Tavira (CCT) chama-se Luís Miguel Constantino, tem 39 anos, e é sócio deste clube desde Fevereiro de 2006. Está ligado a esta colectividade desde 2005, altura em que o patrocinador principal era a DUJA, imobiliária espanhola, e Luís Constantino o seu representante no Algarve.


Pese embora o facto de a DUJA ter abandonado o projecto no fim de 2007, Luís Constantino esteve sempre muito próximo do CCT e sempre a par dos acontecimentos, até porque antes de ser eleito presidente já figurava na lista dos corpos gerentes como suplente de direcção.


Neste momento está empenhado em servir este clube com dedicação, e até na tentativa de angariar patrocinadores que sustentem mais solidamente o projecto. Em entrevista ao site oficial do Clube de Ciclismo de Tavira, Luis Constantino disse:


Clube de Ciclismo de Tavira - Qual a motivação que o levou a aceitar o cargo de presidente de direcção do Clube de Ciclismo de Tavira?
Luís Constantino:
A forma mais simples e clara é que eu sou amante da modalidade desde pequeno e o que se vive no ciclismo não se vive em mais nenhuma modalidade, e poder trabalhar para dignificar a equipa mais antiga do pelotão mundial dá-nos ainda mais força para o fazer e dignificar este desporto, e este clube.


CCT - Apesar de ter tomado posse há relativamente pouco tempo, houve uma boa adaptação ou encontrou algumas dificuldades?
LC: Eu já me sentia parte deste clube faz muito tempo, claro que quando se está de fora tudo é mais fácil, mas como em tudo na vida o que é fácil não tem sabor, e as dificuldades ultrapassam-se com trabalho e dedicação. Os momentos não são fáceis mas temos que acreditar sempre que somos capazes e que tudo faremos para os ultrapassar, assim como os ciclistas fazem em cima das bicicletas mesmo quando entram na difícil subida da Senhora da Graça e em muitas outras. Eles também não desistem nesse momento, pois eu também não.

CCT - Acompanhou de perto o trabalho efectuado pela última direcção? Qual a sua opinião sobre o mesmo?
LC:
Acompanhei de perto o desempenho da direcção nos últimos 5 anos e fizeram um excelente trabalho, e para confirmar esse trabalho estão 3 vitórias na Volta a Portugal. O Clube tem muito que agradecer o trabalho que foi feito pelo Jorge Corvo e pelos outros membros da direcção.


CCT - Há algo que queira mudar/transformar no Clube de Ciclismo de Tavira para que possa melhorar?
LC:
Temos sempre, é isso que nos faz entrar num projecto como este, não é porque as coisas estão mal mas sim porque temos a convicção que ainda as podemos melhorar mais. O Clube de Ciclismo de Tavira tem que continuar a apostar mais na formação, temos que fazer com que as pessoas, os amantes da modalidade, os sócios olhem para o trabalho que é feito diariamente e não se lembrarem desta grande equipa apenas na Volta a Portugal. Há que sentir e ter orgulho de que temos uma grande equipa. A equipa mais antiga do mundo só há uma e é a de Tavira, e esse trabalho, essa divulgação tem que ser feita por nós.

CCT - Na sua opinião qual é o estado do ciclismo português?
LC:
O estado do ciclismo português está um pouco como o estado do país, vivem-se momentos difíceis, e isso pode ver-se com o número de equipas profissionais actualmente. Ainda não foi visto pelos nossos governantes o potencial que o ciclismo tem para promover este país, e no nosso caso esta região que é o Algarve, em que reunimos todas as condições para trazer milhares de cicloturistas. Da mesma forma que também deveríamos ter uma Federação de Ciclismo mais activa e ligada aos clubes e às equipas, com o intuito de trabalhar no mesmo sentido: divulgar essa mais-valia que é o ciclismo. Note-se que é dos pouco desportos que se pode dizer que é do povo porque todos o podem ver nas estradas e não se paga, o que faz com que tenha mais audiência que qualquer outra modalidade.


CCT - Estamos em vésperas da Volta a Portugal, a mais importante e mediática prova nacional. Quais as expectativas que deposita na equipa Tavira/Prio, tendo em conta o sucesso alcançado nas últimas edições?
LC:
Esta é sem duvida a pergunta mais fácil de responder, pois sabendo eu a equipa que temos e sabendo que os êxitos conseguidos até hoje em termos individuais por um atleta que já cá não está, mas que os alcançou porque teve o apoio desta equipa para o poder levar às vitorias, porque sem o trabalho dos colegas seria quase, para não dizer impossível consegui-lo, é óbvio que temos tudo ou ainda mais do que tínhamos. É por isso que vamos estar na Volta como estivemos nos anos em que a vencemos, e sem qualquer dúvida que vamos discutir mais uma vitória. Eu estou crente que vamos celebrar o nosso quarto triunfo na Praça da República em Tavira no dia 15 de Agosto, e mais uma vez mostrar que este clube é sem qualquer dúvida um grande clube e o mais antigo do mundo, merecedor do respeito que o acompanha e que lhe dá toda esta força para vencer e continuar a dignificar a modalidade e a nossa cidade de Tavira, somos pequenos mas muito grandes. Aproveito para deixar também um grande elogio a esta grande equipa que temos, aos magníficos atletas, aos técnicos, mecânicos, massagistas, médicos, e aos meus colegas da direcção, juntos vamos de certeza vencer!
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2ª ETAPA- KM 19 - ENTREVISTA A FILIPE CARDOSO

FILIPE CARDOSO, ciclista profissional da equipa, BARBOT EFAPEL, e vencedor da Prova de Abertura 2010, é o mais recente convidado do Cantinho das Estrelas do Algarvebike.

Filipe Duarte Sousa Cardoso que se diz amante dos U2 e que adora comer, quando pode, uma bela Francesinha acompanhada de uma bela Coca-Cola, viu-se este ano apanhado no imbróglio que envolveu a Liberty e quase vê o seu futuro fugir-lhe debaixo dos pés, não sendo pelo seu enorme valor, poderia ser mais um dos bons ciclistas nacionais a ficar sem equipa.

Com uma óptima prestação em terras algarvias na época passada, vencendo a Prova de Abertura numa chegada ao sprint e arrebatando a geral das Metas Volantes na 4ª Volta a Albufeira, onde fez ainda dois pódios na 2ª e 3ª etapas, mostra-se como um dos homens mais rápidos do pelotão português, sendo um sério candidato a ganhar já no dia 13 de Fevereiro a primeira prova do calendário nacional.





Algarvebike- Esta pré época foi muito atribulada com todo o caso da Liberty, da escassez de equipas e a falta de recursos financeiros que estas carecem, como viveste e sentiste toda esta situação?
Filipe Cardoso-
Infelizmente vivi muito de perto e acabei por fazer parte desta história. Depois de no ano anterior ter passado pelos problemas da Ex Liberty Seguros, voltar a sentir na pele o fim de uma equipa da qual fazia parte foi muito mau.
Nas primeiras horas o mundo parece que pára e quase nem dá para acreditar, com o passar dos dias vamos caindo na real e parece que o complicado se complica ainda mais.
Este projecto tinha para mim um sabor especial, sou natural de S. João de Ver e Vice Presidente desta equipa, era um sonho tornado realidade correr como profissional em Santa Maria da Feira.
Agora que recuperei a vontade de treinar só quero esquecer este episódio e esperar por melhores dias.

Algarvebike- Sentis-te que a tua carreira poderia estar em risco, não pela tua falta de valor que todos já conhecemos, mas pela escassez de equipas e de recursos financeiros?
F. C-
Na verdade foi tudo muito rápido, e logo que a Liberty terminou existiram alguns contactos, não senti que pudesse ser o fim da carreira, mas como é óbvio o novo contrato foi bastante prejudicado, dada a data avançada em que todas as equipas já tinham os orçamentos muito “esticados”, de todas as formas agradeço ao Sr. Carlos Pereira (BARBOT-EFAPEL) pela oportunidade e pelo interesse demonstrado.

Algarvebike-Relativamente aos bons valores do ciclismo que tiveram de abandonar a modalidade e os que tiveram em risco de o fazer, já que és amigo pessoal de alguns deles, como estão eles a viver toda esta situação e o que partilham contigo?
F.C –
Para já estão ainda algo revoltados com toda a situação, ainda para mais todos eram bons ciclistas que rejeitaram e saíram de outras equipas para agora não terem para onde ir. Sinceramente e pelo que tenho falado com alguns deles, penso que o pior ainda está para vir, assim que começar a época vão sentir ainda mais o facto de já não estarem nas estradas a competir.
Acho que ciclistas como Vítor Rodrigues e Marco Coelho (campeão nacional sub-23), vão sentir toda a vida a frustração de acabar desta forma, eu próprio custa-me sair para treinar e não os encontrar na estrada.

Algarvebike- Felizmente conseguiste integrar um bom projecto, através da equipa do Barbot Efapel, como surgiu esta hipótese?
F.C – Assim que soube do fim antecipado da Liberty entrei em contacto com a empresa que me representa VELOFUTUR, eles acompanharam o caso e conseguiram transmitir-me alguma tranquilidade, entretanto eu próprio tive conversas com o Carlos Pereira que desde o inicio mostrou interesse, interesse esse partilhado também por mim, e foi assim que acabamos por chegar a um acordo.
Já a equipa tinha bastantes ciclistas, e outros tantos a quererem entrar, portanto tenho que estar contente por ter sido um dos escolhidos.

Algarvebike- O que podemos esperar do Filipe Cardoso e da sua equipa para esta nova época que está prestes a arrancar?
F.C –
Tendo em conta o panorama actual do ciclismo, penso que a Barbot-Efapel acaba por conseguir estar em corridas interessantes como a Volta ao Algarve, Castilla e Leon, e Astúrias, são corridas que já conheço de outros anos e que gostava de estar bem.
Em relação ao inicio da época e depois da pré-época atribulada não sei bem o meu estado de forma, vou esperar pelas primeiras corridas para saber como estou e o que tenho de melhorar.
De mim, podem esperar um Filipe Cardoso a tentar disputar sprints, contra-relógios curtos e lutar por etapas com media montanha, claro que sempre que for necessário ajudar algum colega de equipa, quando essa for a minha missão.
A meu ver a Barbot-Efapel tem uma equipa capaz de estar a discutir todas as corridas de Fevereiro a Outubro, dentro e fora de Portugal, uma equipa que mistura experiencia com juventude e que junta ciclistas que já se conhecem há muitos anos.

Algarvebike- Que papel terás no seio da equipa?
F.C – Isso será muito relativo, conto ter as minhas oportunidades de tentar vencer e claro trabalhar para a equipa sempre que o tiver que fazer.

Algarvebike- O ano passado fizeste uma óptima época logo a destacares-te com a vitória na Prova de Abertura, este ano podemos ter o Filipe Cardoso ao nível do ano passado para poder ganhar esta prova?
F.C – Como disse anteriormente, não sei bem o meu estado de forma nem o dos meus adversários, tenho treinado bem, mas sempre sozinho sem termo de comparação com outros ciclistas, penso que com a preparação relativamente atrasada em relação ao ano anterior, espero entrar na época num estado de forma que me permita estar na disputa das corridas.

Algarvebike- Não sabemos se irás integrar a equipa para a Volta ao Algarve, mas acreditamos que sim. Como esperas encarar esta prova, já que o nível é altíssimo e o percurso oferece algumas dificuldades?
F.C –
Sim, se nada acontecer vou estar na Volta ao Algarve. Eu gosto muito desta corrida, e desde já os parabéns a quem a organiza. Na minha opinião a volta ao Algarve é uma corrida que nós Portugueses estamos algo prejudicados, é a nossa primeira corrida, ao contrario das equipas estrangeiras, que já competiram ou então treinaram em sítios com bom clima em estágios com a duração de semanas e na pratica nota-se bastante a falta de ritmo dos portugueses.
Por experiencia própria, em 2009, corri uma semana no mês de Janeiro com 40 graus, e na Volta ao Algarve senti que as pernas estavam bem mais rodadas.
Mesmo assim e dependendo do estado de forma vou tentar meter-me nas chegadas e ver até onde consigo ir no contra-relógio.

Algarvebike- Em termos de calendário não sei se já o tens definido? Quais serão as principais provas onde contas estar ao teu melhor nível?
F.C – Gostaria de estar num bom momento no Castilla e Leon, Astúrias e claro Volta a Portugal, isto muito por alto, com o desenrolar da época logo se verá.

Algarvebike- Considerando que este ano cumpres os 27 anos e estás no equador da tua carreira como ciclista, até onde podemos ver o Filipe Cardoso chegar e quais os teus objectivos de carreira?
F.C – Espero em primeiro lugar que os problemas de final de época tenham terminado já que foram dois anos muito complicados para mim, mas tenho o objectivo de integrar uma equipa com um rico calendário internacional, esse é o meu principal objectivo a curto prazo. É uma pena que a minha geração recheada de valores esteja a passar por tantos problemas neste desporto tão bonito que é o ciclismo.

Queremos-te agradecer a disponibilidade e desejar-te uma óptima época Filipe.
Obrigado.
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2ªETAPA - KM4 - ENTREVISTA MIGUEL GUERREIRO – CASA DO BENFICA DE ALMODÔVAR


A menos de dois meses da prova de Abertura de Veteranos, o Algarvebike foi ao encontro de Miguel Guerreiro, presidente da Casa do Benfica de Almodôvar, para estar um pouco à conversa com ele e saber um pouco mais sobre esta equipa e este projecto que voltou a trazer o ciclismo às gentes desta região do Alentejo.

Com uma personalidade humilde e serena, Miguel Guerreiro respondeu-nos a algumas perguntas que fomos colocando.


Bem vindo Sr. Miguel Guerreiro ao nosso Cantinho das Estrelas do Algarvebike. Desde já deixe-me agradecer o convite para ter passado o fim-de-semana convosco e pela disponibilidade e amabilidade.

Este é um grupo relativamente recente, como surgiu e quando foi fundado?
Miguel Guerreiro: Este Grupo foi fundado por mim, surgiu devido ao José Valadas e David Caetanita correrem na CooBital.

Quem foram as pessoas que estiveram na origem da criação deste grupo e como chegou o ciclismo à Casa do Benfica de Almodôvar?
M.G:
Basicamente fui só eu, com colaboração do José Valadas

E porque uma equipa de Master e não as categorias de formação do ciclismo?
M.G:
Porque lidar com miúdos e arranjar pessoas com tempo para treinar esses miúdos não seria fácil e porque até aqui não há tantos miúdos que dê para fazer formação.

Sendo este um projecto relativamente recente, quais os principais objectivos do clube e as suas ambições?
M.G:
Os objectivos é fazer o melhor pela imagem do clube e do município e é levando as coisas conforme vão correndo e os objectivos, tudo depende dos patrocínios e apoios.

E nesta época, a que objectivos se propõem no pelotão Master?
M.G:
É tentar ganhar o maior número de provas e tentar que algum dos nossos atletas seja campeão nacional do escalão A ou B, vamos ver. Uma vez que por 2 anos consecutivos temos o atleta Humberto Silva a ser vice-campeão nacional, queríamos mais qualquer coisa.

Sabendo-se que este ano não vamos ter a Volta a Portugal de Masters, estão a pensar fazer algumas incursões no estrangeiro para enriquecer o vosso calendário?
M.G:
Sim, era bom mas tudo depende do orçamento

Na apresentação da equipa falou-se na esperança de o homem da terra, José Valadas, vir a ser campeão nacional, acredita mesmo nessa possibilidade ou aquelas palavras apenas foram para animar os apoiantes da equipa?
M.G:
O atleta diz me que vai ser e vai fazer tudo para que isso acontecer, por isso vou acreditar na vontade e força deste atleta.

Apenas tendo um atleta da terra na equipa não acha pouco para ter a equipa ligada ao coração das pessoas do município?
M.G:
Acho que não, porque as pessoas todas sabem que aqui na terra não há mais nenhum atleta que queira praticar ciclismo de competição master.

Este ano fizeram duas “contratações” e no final da época passada trouxeram o João Portela, um dos melhores a nível nacional, que esperanças depositam nele?
M.G:
Muita confiança nele e em toda a equipa, acho que temos uma equipa muito humilde, unida e forte, a respeito do João Portela gosto muito dele como atleta

Este ano surgem com 3 atletas de BTT, saem para a estrada com objectivos traçados ou como é o primeiro ano é para ver no que dá?
M.G:
É mesmo para ver a experiencia e marcar imagem e divulgar a casa e os patrocinadores, mas muita coisa é possível vamos ver, são poucos mas de muito boa qualidade esses mesmos atletas.


E apenas 3 atletas é o que há ou o que é possível neste momento?
M.G:
É o que orçamento nos permite.

Que tipo de calendário vão fazer no BTT, apenas o regional ou também o nacional?
M.G:
Um pouco de tudo, mas não devemos ir a todas, vamos dar prioridade ao regional.

Após este cicloturismo, quais os próximos eventos com a marca da Casa do Benfica de Almodôvar e principalmente da equipa de ciclismo?
M.G:
Temos em Março a 4ª Volta ao Concelho de Almodôvar

Para um projecto com esta dimensão são necessários muitos apoios, quem são os parceiros da Casa do Benfica de Almodôvar que fazem este projecto ser uma realidade?
M.G:
Sem dúvida, sem patrocínios e sem apoios não conseguíamos chegar a esta dimensão.
Aproveito aqui para agradecer a todos os patrocinadores especialmente a Peçamodovar, que é mesmo uma empresa muito forte e que nos apoia muito e que faz parte do nome da equipa “ Peçamodovar/Casa Benfica Almodôvar”.
Desejo Bom Ano a todos os sócios, equipas de ciclismo Master, a todos os amantes do ciclismo, do btt e felicidades para o Algarvebike.


Obrigado Sr. Miguel Guerreiro pela disponibilidade e que tenham uma época recheada de sucessos desportivos.
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KM 207 - GRANDE ENTREVISTA A RICARDO MESTRE

RICARDO MESTRE
CASTROMARINENSE, NATURAL DA CORTELHA

Humilde na conversa e tímido nas palavras, Ricardo Mestre tem agora 26 anos e cedo percebeu que o ciclismo era o seu desporto de eleição, quando aos 12 anos começou a competir em bicicleta. Aos 21 tornou-se profissional e um ano depois, tornou-se um dos ciclistas mais jovens a vencer isolado, uma etapa da Volta a Portugal e a conquistar a camisola amarela, tornando-se ai, uma das promessas do ciclismo nacional.


Ricardo Jorge Correia Mestre, nascido a 11 de Setembro de 1983, foi na Cortelha, uma pequena localidade da freguesia do Azinhal, concelho de Castro Marim, que o jovem ciclista cresceu, ao lado do seu irmão Mário com quem Ricardo partilhava tudo o que fazia. “ Quando éramos mais novos partilhávamos tudo e éramos muito unidos, o que um fazia, fazia o outro”,

confessou-nos. Com apenas 11 meses de diferença do irmão acabaram por escolher o mesmo desporto e entraram juntos no ciclismo. “O nosso pai foi quem nos inscreveu, perguntou-nos se nós queríamos ir e respondemos logo que sim, já que todos os dias andávamos de bicicleta e para onde quer que fossemos na Cortelha lá íamos dando aos pedais”, recorda com um sorriso nos lábios. Entretanto o agora vocalista do “Grupo Mais 2”, passado um ano acabou por sofrer uma queda grave onde fracturou a “cana do nariz” e abandonou a modalidade, enquanto que Ricardo continuou na equipa onde sempre correu, o Clube Ciclismo de Tavira, actualmente a equipa mais antiga do ciclismo mundial, fundado a 31 de Agosto de 1979. “Sempre estive ligado ao Clube Ciclismo de Tavira onde entrei como cadete, depois júnior, sub-23 e em 2005 passei a profissional onde já vou na minha 6ª época” confessa.

Foi na antiga escola primária da Cortelha onde Ricardo Mestre estudou até à 4ª classe, posteriormente em Castro Marim cumpriu o ensino básico passando posteriormente para a escola Secundaria de Vila Real de Santo António onde completou o 10º ano, abandonando a escola a meio do 11º onde decidiu dedicar-se a 100% ao ciclismo. “Nunca gostei muito de estudar e como no ciclismo já recebia 30 contos por mês, decidi que era o ciclismo que queria para o meu futuro e comecei a dedicar todo o meu tempo à bicicleta, hoje talvez não tenha sido a melhor opção porque os estudos fazem muita falta mas na altura foi o que quis fazer”, conta-nos, dizendo que pretende futuramente acabar o ensino secundário.


Em 2005, Ricardo Mestre, assumiu uma relação com uma rapariga, a quem acabou por dedicar a sua vitória de etapa na Volta a Portugal de 2006. “Nesse ano fui para a Volta e disse à Vânia que ia andar no bolso com um porta-chaves que ela me tinha oferecido, e que caso ganhasse uma etapa iria tirá-lo e dedicar-lhe a vitoria e foi o que aconteceu, ela não acreditava e ficou muito surpreendida e no dia seguinte emocionada abalou para Fafe que era onde estávamos para me dar os parabéns pessoalmente e para me apoiar ”, revela-nos com alguma emoção nas palavras. Actualmente é com a Vânia que Ricardo partilha a sua vida e com quem está à espera no final do ano de uma menina.
Também os pais de Ricardo são grandes entusiastas do seu desempenho e apesar de estarem a viver em França sempre que podem vêem cá ver o seu filho correr, principalmente o seu pai que todos os anos está presente na Volta a Portugal. “É sempre muito bom sabermos que os nossos pais nos apoiam e é uma grande motivação saber que vem desde França para me apoiar”, evidência.


Ao fim destes 6 anos como profissional o ciclista natural da Cortelha, já se afirmou na equipa tavirense como um dos seus ciclistas mais importantes e onde tem sido um dos braços direitos de David Blanco nas 3 conquistas da Volta a Portugal, que já possui ao serviço deste clube algarvio. “É uma grande responsabilidade saber que não se pode falhar na fase decisiva onde se resolve a corrida e onde o chefe de fila mais precisa de nós, mas felizmente as coisas têm corrido bem e estas 3 vitorias conseguidas são uma óptima recompensa” evidência. Este ano, a equipa de Ricardo Mestre ganhou com classe e superioridade, acabando por justificar o favoritismo. “Fomos para a Volta só com o pensamento de ganhar e fomos a equipa que mais trabalhou para isso e no final concretizamos o nosso objectivo”, disse o atleta que este ano também acabou por realizar a sua melhor prestação até ao momento, na prova rainha do ciclismo nacional, com um excelente 8º lugar. “Senti-me bem e cada dia que passava estava melhor, nunca pus o meu lugar à frente do objectivo da equipa, mas as próprias circunstâncias da corrida fizeram-me obter este óptimo lugar, o que me deixou muito satisfeito”, avalia.



O próprio Marco Chagas, ex-ciclista quatro vezes vencedor da Volta a Portugal e actual comentador da RTP, diz que o Ricardo Mestre dava um óptimo chefe de fila numa prova com esta dimensão. “É muito bom ouvir isso de uma pessoa como o Marco Chagas, na verdade sinto que já vou estando maduro a esse respeito, após 6 épocas a ganhar experiência penso que estou preparado para assumir essa função, quando o director desportivo assim o entender”, fundamenta com ambição.


A verdade é que este ano, já lhe foi entregue a responsabilidade de liderar a equipa no Grande Prémio do Minho o que acabou por dar frutos e de onde Ricardo Mestre trouxe o triunfo final. “Fui para essa prova com a possibilidade de liderar a equipa conjuntamente com o Nelson Vitorino, felizmente as coisas correram-me bem e a equipa trabalhou para mim para que pudesse vencer e assim foi”, confessou.


Desde que Ricardo passou a profissional, os seus amigos têm-no apoiado sempre e formam um grupo, que actualmente conta com mais de 30 membros e que o segue por todo o pais, equipados a rigor, com a sua imagem e da sua terra. “Esse apoio é muito importante, sentir que para onde quer que vamos temos pessoas a dar-nos força, isso motiva bastante e mais ainda porque sei que também lá estão para me apoiar, não só nos bons momentos, mas também nos maus”, revela com satisfação.



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KM 188 - Grande Entrevista a CÂNDIDO BARBOSA

Cândido Barbosa começou a competir com onze anos. Teve como primeiro treinador Bernardo Sousa que o acompanhou nos primeiros anos de júnior. Em seguida foi treinado por um antigo ciclista do FC Porto que o orientou enquanto correu na J.Pereira e prolongou-se não só em júnior como em esperança. Em seguida transferiu-se para a Siper – F. Mota onde passou pelas mãos de Alberto Carvalho e no ano seguinte transferiu-se para o Paredes e foi lá que fez dois anos como esperança, teve outro como amador e daí partiu para competição profissional.

Em 1996 Cândido Barbosa chega ao profissionalismo onde até ao momento representou 7 equipas: W 52 - Paredes Móvel (1995 - 1996), Maia-Jumbo-CIN (
1997), Banesto/iBanesto.com(1998-2001), a Liberty Seguros (2002-2007), o SL Benfica (2008) e actualmente veste as cores de Tavira, Palmeiras Resort-Prio- Tavira.

Neste momento Cândido já completa 120 vitórias no seu Palmarés, 6 dessas vitórias foram alcançadas em 6 etapas da Volta ao Algarve em 1997, ganhando também a classificação geral.
Na
Volta a Portugal, Cândido já leva 24 vitórias, ganhando por 8 vezes (5 das quais de forma consecutiva) a Camisola Branca (Pontos), estabelecendo um recorde na competição. Ganhar esta prova foi sempre um sonho para Cândido e esteve perto de alcançar esse objectivo, em 2005, terminando a apenas 34.2 segundos do vencedor, Vladimir Efimkin.

Dados Biográficos:

Naturalidade: Rebordosa - Paredes
Data de Nascimento: 31.12.1974
Residência: Mouriz - Paredes
Altura: 1,72 metros
Peso: 70 quilos
Pulsação em repouso: 38 p.p.m.
Profissional desde: 1996




Vamos então à entrevista Cândido, desde já sê bem vindo ao CANTINHO DAS ESTRELAS do Algarvebike.






AB - Quem é o Cândido Barbosa como ciclista e como pessoa?
C.B.- O Cândido é exactamente aquilo que é qualquer pessoa conhecida. Apenas convivendo com as pessoas conseguimos saber como são por isso quem convive comigo é que poderia responder melhor que eu a essa questão. Mas sendo eu uma pessoa conhecida, figura publica, igualmente como noutras modalidades, há aquelas pessoas que nos amam e outras que nos odeiam. É certo que em cima da bicicleta tenho alguma agressividade e é por isso que tenho 120 vitórias, não é por eu ser “mauzinho” e depois me deixar comer pelos adversários é a minha forma de ser sobre a bicicleta, mas nunca procurando a maldade. Aquelas pessoas que me odeiam é porque efectivamente não gostam da minha forma de ser e se calhar podia apontar que 90% dessas pessoas são aquelas que tem ciúmes e inveja pura, mas é daquelas coisas que eu não ligo, estou bem comigo mesmo e estou melhor ainda com que trabalho que é o mais importante.





AB - Como surgis-te no mundo do ciclismo?
C.B. - Eu tinha um tio que costumava e ainda costuma andar de bicicleta e comecei a andar com ele quando tinha 10 anos, numa pasteleira que o meu pai lá tinha em casa. Comecei por fazer 40, 50 kms com esse meu tio e um amigo que o acompanhava. É certo que eles viram que tinha algum jeito e eles próprios encarregaram-se de chatear o meu pai para ele me dar uma bicicleta, ele inicialmente não foi muito na ideia mas eu depois fui á comunhão solene e na altura ganhei 29 contos e comprei uma bicicleta uns sapatos e um capacete que me custou 31 contos, e o meu pai acabou por pôr o resto e lá comecei eu a competir, isto já com 11 anos.


AB - E quando entraste para o ciclismo, já pensavas em poder chegar a profissional e fazer vida como ciclista ou foi mesmo só por brincadeira?
C.B. –
Nessa altura não, nessa altura nem sabia o que queria, na infância queria era andar de bicicleta e fazer força nos pedais (risos).



AB - Quando começas-te a ver que tinhas jeito para dar aos pedais e que isto podia dar-te um futuro?
C.B. - Comecei a correr e passado 3 ou 4 corridas o meu lugar cativo já era o 2º porque o 1º era sempre do José Sousa, que ganhava tudo. Entretanto passado uns tempos eu já começo a ganhar também e com um ano como ciclista eu já conseguia ganhar corridas ao José Sousa o que era muito bom e que fez com que me dissessem que tinha algum valor e qualidades como ciclista.




AB – Até ao momento já passas-te por 7 equipas, qual a que te marcou mais?
C.B. –
Todas me marcaram de certo modo. A primeira porque foi a minha primeira equipa profissional em 1995 e 1996, a W52 Paredes, Que foi uma equipa onde aprendi muito, depois fui para a Maia Cin, essa talvez não me tenha marcado tanto porque tive de passagem, apenas um ano ou nem chegou, assinei contrato com eles em inícios de Dezembro e no final da Volta a Portugal já tinha o contrato assinado pela Banesto ou seja tive nessa equipa 7 ou 8 meses mesmo apesar de ter sido o ano em que ganhei mais corridas (22 vitorias) foi a equipa que menos me marcou. Entretanto estive 4 anos na Banesto o que me marcou bastante, pelos amigos que acabei por criar, éramos 28 ciclistas, era uma equipa com uma grande dimensão internacional, com ciclistas que em tempos eram ídolos meus, Jimenez, Olano, Alex Zulle e acabaram por ser meus companheiros e isso é muito marcante. Depois da Banesto vim para a LA Pecol que foi mudando a designação, mas mantendo sempre a mesma equipa e estrutura, que foi onde estive mais anos e que também me marcou bastante já que foi onde tive alguns dos resultados mais marcantes da minha carreira. Em 2008 tive uma passagem pelo Benfica que apesar de ter sido só um ano e a equipa ter-se apagado da forma que se apagou, de uma forma um pouco triste porque não havia razões para isso acontecer e era um projecto que na minha opinião tinha pernas para andar, e foi um marco importante, porque mesmo eu sendo portista, o Benfica é o Benfica e o carinho das pessoas é notável. Depois do Benfica vim para a equipa de Tavira e confesso não ter ideias de ir para outra equipa porque sinto-me bastante bem aqui e encontrei uma equipa muito unida e que é como uma família.


AB - Como defines esta equipa Palmeiras ResortPrio-Tavira
C.B. - Sinceramente a impressão que tenho agora não era de toda a impressão que tinha, porque era uma equipa pequena mas que nestes últimos anos tem crescido muito e ganhando estrutura e que acima de tudo tem um grupo fantástico e que ao longo de toda a minha carreira nunca tinha encontrado noutra equipa. Aqui não há rivalidades internas de espécie alguma e em que cada um sabe o seu lugar, trabalhamos sempre todos na mesma direcção e acima de tudo respeitamo-nos todos como uma família. Também muito porque temos um Director Desportivo com uma mentalidade muito semelhante a nossa, talvez pela idade que tem e ter deixado o ciclismo à pouco tempo o que faz com que se mantenha sempre um bom espírito e que se evitem muitos conflitos. E é este espírito que faz com que mesmo algumas provas em que vamos com um maior nível de descontracção e sem responsabilidade, acabamos por vencer muitas vezes com ciclistas que levam toda a época a trabalhar para os outros e isso é muito bom, porque ficamos todos muito contentes com o sucesso dos companheiros. Temos o exemplo da corrida que o Luís Silva ganhou em que nós não fizemos nada para a vencer no entanto foi espectacular a vitoria dele, o mesmo aconteceu com o Ricardo Mestre que ganhou o G.P.Minho e em que nós também pouco fizemos para a vencer, ou seja mesmo quando vamos com alguma descompressão para as corridas, vê-se que o grupo funciona organizado, o que não se vê noutras equipas e isso tem feito a diferença para chegarmos a algumas vitorias.



AB - E em relação á polémica que se lançou inicialmente quando vieste para a equipa, em relação ao teu relacionamento com o David Blanco?
C.B. -Aquilo que no inicio se especulava e se falava, posso dizermos que é tudo mentira e muito pelo contrario, isto vem ao encontro do que falamos á pouco sobre o carácter da minha pessoa, nós só depois de convivermos e trabalharmos com as pessoas é que as conhecemos, e dentro do ceio de toda a equipa nunca houve esse tipo de conflitos que as pessoas falavam entre mim e o David Blanco.



AB - Nas tuas palavras vejo que a tua integração na equipa foi tranquila e não teve nada de agridoce como se falava?

C.B. - Sim foi tranquila, falou-se muito porque nos últimos anos eu e o Blanco éramos dois adversários directos e muita gente comentava que como seria possível dois adversário partilharem a liderança de uma equipa e lutar pelo mesmo objectivo, no entanto foi exactamente oposto aquilo que especularam. Como já conhecer o Vidal Fitas (Director Desportivo), o Jorge Corvo (Presidente do Clube) e o Quinito e muitos dos ciclistas que agora são meus colegas, porque eu passava alguns períodos de tempo a treinar cá em baixo, a integração foi muito fácil e sem qualquer tipo de problema.


AB - E é no Tavira que queres terminar a tua carreira?
C.B. - Sim em principio estou próximo do fim de carreira e é uma equipa que tem um excelente ambiente e onde me sinto bastante bem com adeptos de ciclismo fantásticos por isso penso que seja aqui que irei terminar a minha carreira.


AB - Das provas que ganhas-te na tua carreira, até ao momento, qual a que te deu mais “gozo” teres conseguido?

C.B. – Todos eles tem um significado especial e foram marcantes porque nunca ganhei nada sozinho, nunca houve uma que eu pudesse dizer “esta foi fácil de ganhar” e dai dar sempre tanto valor ás vitorias. Mas sim há um que me marcou bastante, eu próprio nesse dia quase não acreditava que tinha vencido e que era campeão da Europa, essa sim foi talvez a vitoria mais marcante.


AB - Já ganhas-te muita coisa nesta tua excelente carreira, quais os objectivos a que te propões e que gostavas de alcançar?
C.B. - Se formos por ai falta-me muita coisa ainda, estive numa das melhores equipas mundiais e um dos meus sonhos era ir ao Tour sobretudo conseguir uma vitoria numa etapa no Tour ou disputar um Campeonato do Mundo porque é algo que eu noto que está ao meu alcance porque são corridas talhadas mais ou menos ao meu jeito mas em fim. A Volta a Portugal já não é tanto ao meu jeito, faz falta ao meu currículo porque já fiz 2º e 2º e 3º já podia ter vencido mas ainda não o consegui. No entanto não é algo que quando terminar a minha carreira se não conseguir me vá deixar frustrado, muito pelo contrário acho que tudo aquilo que já fiz e que estou a fazer sobretudo pela modalidade é e tem sido muito útil.


AB - Em 2005 quando ficas-te a 34,2 segundos de Vladimir Efimkin, que ganhou a Volta numa fuga bem sucedida em que ninguém o tinha como favorito, achas que este foi o ano em que a Volta te ficou com um amargo de boca, por teres ficado tão perto da vitoria?
C.B. –
O que eu senti é que nesse ano, e são os próprios adversários a confessar isso mesmo, que eu era o ciclista mais forte da Volta a Portugal e se não venci foi porque alguma coisa correu mal, mas pronto enquanto eu for ciclista irei lutar por esse objectivo porque é um sonho que dorme comigo e acredito que ainda posso vir a concretiza-lo, mas se não conseguir não irei sair frustrado de maneira nenhuma nem que saia amanha.

AB – Não querendo de forma alguma dizer que tens a carreira de ciclista no final mas sim por todos nós sabermos que está mais perto do final do que propriamente do inicio, para quantos anos temos ainda Cândido Barbosa a pedalar nas estradas?
C.B. -
Para dizer a verdade nem eu sei, é uma das coisas que já pensei mas que não tomei nenhuma decisão em concreto e no dia que a tomar todos irão saber.


AB – Na conversa que tivemos à tempos com o Joaquim Sampaio ele dizia-nos que não gostava muito quando o abordavam e faziam essa pergunta de quando terminaria a carreira, sentes o mesmo?
C.B. – Sim de certa fora sim. Sobretudo porque eu tenho a consciência de que vou fazer 36 anos e quanto mais me perguntarem isso mais me fazem sentir que já estou passado de idade.E é assim eu até posso estar a fazer os 36 anos mas sinto que não estou cansado mentalmente e tudo o que faço independentemente de ganhar ou não tem sido útil mais que não seja para a modalidade e para a formação dos meus colegas.



AB – E quando deixares o ciclismo, que futuro perspectivas para ti?
C.B. –
Quando deixar de competir penso continuar a meio termo na Câmara como Vereador do Desporto e dedicar-me com mais tempo ao meu jardim-de-infância (Na Quinta do Cândido).


AB - Passando para o ciclismo internacional. Como estas a ver o desempenho dos nossos emigrantes?
C.B. - Estou a ver com muito boa cara, sobretudo porque alguns tiveram a sorte de ir para as melhores equipas do momento e hoje pensa-se de forma diferente de quando eu estive lá fora, hoje as equipas são formatadas de forma diferente e alguns conseguiram com o seu valor fazer parte do núcleo duro dessas equipas que integraram e assim conseguir estar no lote de atletas que vão ás grandes Voltas, conseguindo resultados importantes. Falando dos quatro que tem competido mais e a melhor nível, o Manuel Cardoso é o que está na equipa teoricamente mais fraca e apesar de não ser um ciclista por excelência de fundo foi chamado ao Tour apesar do azar que teve logo no primeiro dia, mas para o ano de certeza que estará lá outra vez e poderá mostrar o seu valor. O Sérgio Paulinho já é um atleta de fundo que apanhou bem o seu lugar no pelotão internacional sendo um trabalhador de luxo e em que aqui e ali mostra que consegue disputar e mesmo ganhar uma grande etapa. O Rui Costa e o Tiago Machado também souberam impor-se no seu primeiro ano e ganharam o seu lugar nas suas equipas e mostram ser grandes ciclistas com grande futuro.



AB - O que achas que falta ao ciclismo português? Talvez uma equipa a nível das melhores do mundo?
C.B. - Não, na minha opinião ao ciclismo português faz falta ter mais uma ou duas equipas ao nível de Portugal, porque nós corremos o nosso ciclismo e corremos para os nossos espectadores e eles gostam é de ouvir nomes sonantes portugueses a correr e é com eles que as pessoas vibram e por isso nós temos é de fazer ciclismo à nossa medida e aqueles ciclistas que estão a cima da media exporta-los para equipas Pró-Tour e assim temos representação nacional lá fora. Com mais umas duas equipas teríamos um pelotão mais composto e assim termos algo para oferecer aqueles que investem na modalidade que é o que começa a faltar, mesmo apesar de a economia estar como está.

AB - Define numa ou duas palavras cada um dos teus colegas de equipa.


Alejandro Marque – Humilde

Ricardo Mestre - Reservado

David Blanco Espírito vencedor

Luís Silva – Honesto

Daniel Mestre – Ambicioso

Nelson Vitorino - Amigo

Tomás Metcalfe – Revolucionário

Henrique Casimiro – Humilde e Ambicioso

Samuel Caldeira – Bem disposto e Amigo

André Cardoso – Brincalhão

David Livramento – Cabeça no Ar



Curiosidades:

AB - Genero Musical: C.B. - Pop/Rock

AB - Genero de Filme - Comedia, Acção

AB - Prato Favorito: C.B. - Todos os portugueses

AB - Uma bebida: C.B. - Tudo o que tenha álcool (risos) sobre tudo vinho.

AB - Destino ferias: C.B. - África

AB - Região do pais preferida: C.B. - Toda a parte do pais, a zona oeste talvez seja a que menos gosto para andar de bicicleta por causa do vento.

AB - Melhor ciclista todos os tempos: C.B. - Nacional o Agostinho, internacional o Indoren por ter sido um ciclista que conheci porque antes da geração dele também houve excelentes ciclistas mas que so conheço de ouvir falar.

AB - És supersticioso? Ou tens alguma “mania”? C.B. - A minha “mania” é por primeiro o dorsal do lado direito, quanto ao resto não tenho mais nada de especial.

AB - Sempre foste uma referencia para muitos ciclistas e o Cândido tem ou teve algum ciclista como referencia? C.B. - Tive as referências nacionais do Orlando Rodrigues e do Joaquim Gomes, a nível internacional o Indurain, Cipollini, Pantani foram ciclistas de quem gostei sempre muito.



AB - Para terminar, como e onde as pessoas te podem acompanhar e conhecer melhor?
C.B. - Tenho a minha pagina de internat, quem me quiser contactar ou acompanhar pode entrar em:
http://www.candido-barbosa.com/. Quem me quiser conhecer melhor sempre pode adquirir o meu livro que se trata de uma Autobiografia e tem como titulo: “À volta de Cândido Barbosa”.

Equipas Representadas:

W52 Paredes-Móvel
Maia-Cin
Banesto
L.A. Alumínios / Pecol Bombarral
Liberty Seguros
Sport Lisboa Benfica
Palmeiras - Tavira Resort

Principais Resultados:

2010 (Palmeiras - Tavira Resort) – 11 vitorias
1º nas 50 Voltas do Festival de Pista de Loulé
1º na 2ª Etapa da 4ª Volta ao Concelho de Albufeira - Troféu José Martins
1º na 3ª etapa da 4ª Volta ao Concelho de Albufeira - Troféu José Martins
1º na 2ª Taça de Portugal “Liberty Seguros” – Clássica da Primavera
1º na 5ª Taça de Portugal “Liberty Seguros” - Clássica do Alpendre
1º na Geral da Taça de Portugal
1º na 1ª Etapa da 28ª Volta ao Alentejo
1º Contra-relógio Individual - Troféu Joaquim Agostinho
1º na 2ª Etapa do Troféu Joaquim Agostinho
1º na 4ª Etapa do Troféu Joaquim Agostinho
1º na Geral Troféu Joaquim Agostinho

2009 (Palmeiras - Tavira Resort)- 10 vitórias
1º na Clássica de Vila do Conde (Taça de Portugal)
1º na Classica do Alpendre (Taça de Portugal)
1º na Geral da Taça de Portugal
2º no Campeonato Nacional C/Ri
1º na 4ª Etapa na Volta ao Alentejo
1º na 5ª Etapa na Volta ao Alentejo
1º na 2ª Etapa no 4º Grande Premio Paredes
1º na 3ª Etapa no 4º Grande Premio Paredes
1º da Geral do Grande Prémio de Paredes
1º no Prologo na 71ª Volta a Portugal em Bicicleta
1º na 2ª Etapa na Volta a Portugal em Bicicleta

2008 (Sport Lisboa Benfica) – 2 vitórias
3º Lugar – Troféu RDP Algarve - Faro
3º Classificado Campeonato Nacional – Rebordosa
1º Lugar - Etapa Volta a Portugal 2008 (Gondomar)
1º Lugar - Etapa Volta a Portugal 2008 (Fafe)

2007 (Liberty Seguros) – 7 vitórias
1.º Campeonato Nacional de Estrada
1.º Etapa-3 Volta a Portugal (Idanha-Gouveia, 176,3 km)
1.º Etapa-4 Volta a Portugal (Guarda-Santo Tirso, 222,1 km)
1.º Etapa-5 Volta a Portugal (Felgueiras-Fafe, 167,7 km)
1.º Etapa-8 Volta a Portugal (Aveiro-S. João Madeira, 157,1 km)
1.º Etapa-2 GP Paredes Rota dos Móveis
1.º Circuito do Alpendre
2.º Volta a Portugal (1.º português; 1.º pontos; 3.º montanha – 5 dias amarelo)
3.º Volta a Rioja
4.º GP Paredes Rota dos Móveis
2.º Etapa-1 Volta a Rioja
3.º Etapa-3 Volta a Rioja
3.º Etapa-6 Volta a Portugal (Celorico-Sra. Graça)
3.º Etapa-9 Volta a Portugal (Oliv. Bairro-Torre)

2006 (LA-Liberty) – 3 vitórias
1.º Etapa-1 Volta a Portugal (Portimão-Beja)
1.º Etapa-1 Volta a Trás-os-Montes
1.º Etapa-2 GP Paredes Rota dos Móveis
3.º Volta a Portugal (1.º português; 1.º pontos; 9.º montanha – 2 dias amarelo)
2.º Etapa-3 Volta a Portugal (Ansião-Viseu)
2.º Etapa-8 Volta a Portugal (Favaios-Guarda)

2005 (LA-Liberty) – 14 vitórias
1.º Etapa-2 Volta a Portugal (Cartaxo-Figueira da Foz, 187, 9 km)
1.º Etapa-6 Volta a Portugal (Trancoso-Fafe, 173,1 km)
1.º Etapa-7 Volta a Portugal (Fafe-Santo Tirso, 160,5 km)
1.º Campeonato Nacional de Contra-relógio Individual
1.º Etapa-3 GP Internacional Costa Azul
1.º Etapa-1 GP Internacional do Oeste RTP
1.º GP Internacional do Oeste RTP
1.º Etapa-3 Volta ao Alentejo
1.º Troféu RDP Algarve
1.º Troféu Sérgio Paulinho
1.º Etapa-1 Volta às Terras de Santa Maria
1.º Etapa-2 Volta às Terras de Santa Maria
1.º Etapa-3 Volta às Terras de Santa Maria
1.º Volta às Terras de Santa Maria
2.º Volta a Portugal (1.º português; 1.º pontos; 7.º montanha)
2.º Etapa-8 Volta a Portugal (Celorico-Sra. Graça)
2.º Etapa-9 Volta a Portugal (Lordelo-S. João Madeira)
2.º Etapa-10 Volta a Portugal (Viseu-Viseu CRI)
3.º Etapa-3 Volta a Portugal (Lousã-Fundão)
5.º GP Internacional Costa Azul
10.º GP Torres Vedras-Joaquim Agostinho
16.º GP CTT Correios

2004 (La Alumínios) – 6 vitórias
1.º Etapa-1 GP CTT Correios
1.º Etapa-3 GP CTT Correios
1.º GP CTT Correios
1.º Etapa-2 Volta ao Algarve
1.º Etapa-2 Grande Prémio Estremadura/RTP
1.º Etapa-2 Volta a Portugal (Castelo Branco-Cartaxo, 187,7 km)
2.º Grande Prémio Estremadura/RTP
3.º Volta ao Algarve (1.º pontos)
20.º Volta a Portugal (1.º pontos)
22.º Volta ao Alentejo
47.º Troféu Joaquim Agostinho
2.º Etapa-1 Volta a Portugal
2.º Etapa-7 Volta a Portugal
4.º Etapa-10 Volta a Portugal (Oeiras-Sintra CRI)

2003 (LA-Pecol) – 6 vitórias
1.º Etapa-3 Volta ao Algarve
1.º GP Mosqueteiros/Rota do Marquês
1.º Etapa-1 Volta a Portugal (Albufeira-Tavira, 175,6 km)
1.º Etapa-4 Volta a Portugal (Castelo Branco-Coimbra, 154,6 km)
1.º Etapa-7 Volta a Portugal (Gouveia-S. João Madeira, 166,6 km)
1.º Etapa-8 Volta a Portugal (Feira-Fafe, 188,6 km)
5.º Volta ao Algarve
10.º GP Rota dos Móveis
13.º Campeonato Nacional de Estrada
16.º Volta a Portugal (1.º pontos - 1 dia amarelo)
20.º Troféu Abertura
31.º Troféu Joaquim Agostinho
32.º G.P. Abimota
2.º Etapa-3 Volta a Portugal (Cafés Delta-Castelo Branco)
3.º Etapa-11 Volta a Portugal (Viseu, CRI)

2002 (LA-Pecol) – 12 vitórias
1.º Etapa-3 Volta ao Algarve
1.º Etapa-4 Volta ao Algarve
1.º Volta ao Algarve (1.º pontos; 1.º metas volantes)
1.º Troféu RDP
1.º Clássica Montijo
1.º Clássica Setúbal
1.º Etapa-1 GP Mitsubishi MR Cortez
1.º Etapa-3 Volta a Portugal (Gaia-Gaia, 169,2 km)
1.º Etapa-6 Volta a Portugal (Mondim-Cantanhede, 205,2 km)
1.º Etapa-1 Terras Sta. Maria
1.º Volta às Terras Sta. Maria
1.º Etapa-4 GP Abimota
4.º GP Mitsubishi MR Cortez
4.º Volta ao Minho
7.º Clássica do Seixal
9.º Campeonato de Portugal
10.º Clássica de Alcochete
15.º GP Abimota
45.º Volta a Portugal (3 dias de camisola amarela – 2.º pontos)
53.º Volta ao Alentejo
101.º Semana Catalã
2.º etapa-2 Volta a Portugal (Fafe-Fafe)

2001 (Banesto) – 1 vitoria
2.º Volta ao Alentejo (1.º pontos)
5.º Campeonato Portugal
11.º GP Mosqueteiros
1.º (iBanesto) Etapa-4 Volta a Portugal (Loulé-Tavira, CRE, 38,5 km)

2000 (Banesto) – 4 vitórias
1.º Etapa-3 Vuelta La Rioja
1.º Etapa-5 Volta ao Minho
1.º Etapa-6 Volta a Portugal (Matosinhos-Lordelo, 208 km)
1.º Etapa-11 Volta a Portugal (Manteigas-Belmonte, 134 km)
9.º Vuelta La Rioja
10.º Volta a Portugal (4.º português)
89.º Volta a Itália

1999 (Banesto) – 4 vitórias
1.º Etapa-1 Volta ao Algarve
1.º Etapa-2 Volta ao Algarve
1.º Etapa-4 Vuelta La Rioja
1.º Etapa-7 Volta a Portugal (Tábua-Seia, 187 km)
2.º Volta ao Algarve (1.º pontos)
3.º Clássica Alcobendas
5.º Volta a Portugal (2.º português; 1.º pontos – 1 dia de amarelo)
7.º GP Llodio
2.º Etapa-4 Volta às Astúrias
3.º Etapa-1 Volta às Astúrias
3.º Etapa-2 Volta às Astúrias

1998 (Banesto) – 5 vitórias
1.º GP Telecom
1.º Etapa-1 GP Telecom
1.º Etapa-3 GP Telecom
1.º Etapa-4 GP Telecom
1.º Etapa-4 Volta ao Alentejo
7.º Troféu Pollensa-Alcudia
11.º Volta ao Alentejo (1.º pontos)
53.º Volta a Portugal (1 dia de amarelo – 3.º pontos)

1997 (Maia Cin) – 22 vitórias
1.º Troféu RDP Algarve
1.º GP Terras de Loulé
1.º Etapa-2 Terras Sta. Maria
1.º Etapa-2 (A e B) Correio do Douro
1.º Etapa 1 GP Abimota
1.º Etapa-1 Volta ao Algarve
1.º Etapa-2 Volta ao Algarve
1.º Etapa-3 Volta ao Algarve
1.º Etapa-4 Volta ao Algarve
1.º Etapa-5 Volta ao Algarve
1.º Etapa-6 Volta ao Algarve
1.º Volta ao Algarve (1.º pontos)
1.º Porto-Lisboa
1.º Etapa-1 GP Minho
1.º Etapa-5 GP Minho
1.º GP Minho
1.º Etapa-3 GP Portugal
1.º Etapa-3 GP Jornal Notícias
1.º Etapa-4 GP Jornal Notícias
1.º Etapa-2 GP Sport Notícias
1.º Etapa-9 Volta a Portugal (Seia-Figueira de Castelo Rodrigo, 150 km)
1.º Etapa-14 Volta a Portugal (Cantanhede-Póvoa de Varzim, 156 km)
2.º GP Portugal
2.º GP Correio do Douro
3.º GP Jornal Notícias
3.º GP Almoçageme
5.º GP Sport Notícias (1.º Juventude)
7.º Volta a Portugal (1º pontos; 1º juventude)
2.º Etapa-4 Volta a Portugal (Abrantes)
2.º Etapa-5 Volta a Portugal (Portalegre)
3.º Etapa-11 Volta a Portugal (Mirandela, CRI 36,9 km)
5.º Etapa-6 Volta a Portugal (Portalegre, CRI 21,6 km)

1996 (W52 Paredes Fibromade) – 13 vitórias
1.º Campeonato Europa de Esperanças
1.º Clássica de Lousa
1.º Clássica de Lisboa
1.º Etapa-1 GP Correio da Manhã
1.º Etapa-2 Terras Sta. Maria
1.º Etapa-3 Terras Sta. Maria
1.º Etapa-1 Volta ao Algarve
1.º Etapa-2 Volta ao Algarve
1.º Etapa-3 GP Jornal de Notícias
1.º Etapa-5 GP Jornal de Notícias
1.º Etapa-2 GP Correio do Douro
1.º Etapa-1 GP Minho
1.º Etapa-4 GP Minho
3.º Campeonato de Portugal Contra-relógio
8.º Volta ao Algarve
10.º GP Sport Notícias (1.º juventude)

1995 (W52 Paredes Móvel - amador) – 3 vitórias
1.º Etapa-1 GP Costa Azul
1.º Etapa-3 Volta ao Algarve
1.º Etapa-6 Volta ao Algarve
2.º Etapa-4 GP Sport Notícias (1.º pontos)

1994 (Selecção Nacional de Esperanças)
2.º Volta ao Algarve (1º pontos)



Muito Obrigado Cândido Barbosa pelo tempo que nos desponibilizas-te e tudo de bom para ti.

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